Estou me contendo pra não correr pro telefone, pra dizer que tudo que disse era mentira, que tudo não passa de medo, de não ter ouvido tudo o que ouvi, de não ter permitido tantas lágrimas escorrerem pelo meu rosto, que eu tivesse feito outra escolha.
Tenho medo de nada ser como antes, e acredito que não será mais... me sinto mal ao pensar que tinhamos planejado fazer tantas coisas legais, de um futuro imaginário bom... sou confusa, estou mais confusa ainda... costumo brincar que a confusão está naqueles que não se adaptaram a ela, que me sinto plenamente confortável em situações confusas, e que nada me abala, mas agora, especialmente agora...não sei como agir... estou confusa, muito alias...
Fiz de tudo pra não me apegar, tentei ser mais racional do que sou normalmente, mas o que eu segurava escapou, fugiu e decidiu mostrar a cara... me apaixonei... e acho que para que os danos não fossem ainda piores, e talvez a feridas se aprofundassem ainda mais, falei, quase gritei tudo o que estava escondido... exceto o que eu realmente devia dizer... que desde a primeira vez que te vi, senti algo estranho, algo se mexer dentro de mim, senti um frio na barriga, algo que não sei explicar...
Depois cada um seguiu seu caminho, e eu fiquei aqui, aguardando feliz a cada noticia vinda de tão longe... a cada mensagem, cada palavra... a ansiedade se acumulava e mesmo com a distancia, algo em mim estava feliz, muito feliz aliás, contava os dias, horas minutos...
Enfim, você chegou... não tenho palavras pra dizer como me senti, quando me recebeste com um beijo, andamos abraçados como se fossemos namorados, e aquilo quebrou o gelo que me protegia... aí sim fiquei confusa, mas a euforia cobria isso... não me deixou pensar, não me deixou decidir...fugir...
Ficamos juntos... até vontade de chorar eu tive, ao olhar nos teus olhos...não me pergunte porque, era felicidade como a muito tempo não sentia...era como se nos conhecessemos a milênios, que eu apenas estivesse te reencontrando...
Admito que a cada hora sem te ver, sentia medo, medo de não estar a sua altura, medo de não corresponder as espectativas, medo de ser infeliz...mas a cada vez que ouvia sua voz ao telefone tudo isso sumia feito mágica, e a paz voltava a reinar..
Pena que um dia, uma frase foi dita,uma apenas, que quebrou tudo, que me abriu os olhos pra realidade, me mostrou o quanto eu estava agindo errado segundo o que eu estabeleci para mim... Foi o erro, queria eu não ter dito coisas tão infelizes, ter ouvido outras que aprofundaram ainda mais a minha dor... descortinando a realidade, a minha realidade, nua e crua... e assim você se foi... ao me conhecer um pouco melhor...
Não posso julgar ninguém por não saber lidar com a situação, muito menos você que tanto bem me fez em tão pouco tempo... sei que o medo se faz meu companheiro, e que nada vai mudar o que já foi dito...
Queria apenas uma chance de ser feliz...
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